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Artigos › 20/01/2017

Mineiros e seu Santuário

O desenvolvimento integral de uma sociedade depende, significativamente, de sua capacidade para valorizar e cuidar do seu patrimônio, que inclui personagens e acontecimentos da sua história. São eles que tecem a cultura – alicerce do progresso, do desenvolvimento, do sentido de respeito. Por isso, os mineiros têm que aproveitar a “oportunidade de ouro” que marca este novo ano e, assim, impulsionar crescimentos, consolidar a força do Estado de Minas Gerais, nos mais diferentes cenários. Esse momento especial é a celebração do Ano Jubilar – os 250 anos do povo peregrinando na fé ao Santuário Nossa Senhora da Piedade – a Padroeira de Minas Gerais.

A vivência deste tempo é uma convocação que remete todos os mineiros à Serra da Piedade, tesouro  de inestimável valor ambiental e ecológico. Ali está um milagre da natureza, obra do Criador, com riquíssima fauna que é referência para pesquisas científicas de diferentes centros acadêmicos. Esse singular jardim botânico congrega, harmoniosamente, a Mata Atlântica, o Cerrado e os Campos Rupestres. Um território com mais de um milhão de metros quadrados, assentado sobre uma rocha de ferro, minas de ouro e aquífero exuberante, patrimônio que jamais será presa do desarvoro do lucro e da ambição desmedida. Este Ano Jubilar é, justamente, tempo propício para se firmar – a partir de legislações, gestos concretos de solidariedade e atitudes cidadãs – conforme se reza na oração de consagração a Nossa Senhora da Piedade – Padroeira de Minas Gerais: esse patrimônio é herança nossa que vamos sempre preservar e defender.

A proteção desse bem significa o rompimento com as dinâmicas que deixam “heranças nefastas”, verdadeiras ofensas: as graves feridas na casa comum, os buracos e as devastações que nunca serão apagados da história em razão dos pesos e das desolações que provocam. Por tudo isso, a defesa do Santuário Ecológico dedicado a Nossa Senhora da Piedade é compromisso da Igreja, mas também de todos os segmentos da sociedade, que precisam trabalhar juntos, em cooperação, a partir dessa missão. Não há espaço nem tempo para irracionalidades – a exemplo do desejo de se mostrar poder com a imposição de entraves burocráticos aos projetos reconhecidamente necessários para a preservação do meio ambiente e do patrimônio histórico.  Essas obstruções, de órgãos governamentais ou de outras instâncias, impedem a efetivação de iniciativas capazes de impulsionar o desenvolvimento de Minas. Ações com força para amalgamar as muitas Minas, superando dispersões regionais, para consolidar uma “consciência mineira”. A retomada do crescimento e do desenvolvimento do Estado depende dessa consciência que nasce da valorização do próprio patrimônio e da cultura. Um olhar valorativo sobre o que se é e o que se tem.

Esse olhar permite reconhecer também os tesouros da religiosidade, um legado de riqueza inestimável desse estado diamante. O Ano Jubilar celebrado em 2017 exalta, precisamente, a fé católica mineira – 250 anos de peregrinações ao Santuário da Padroeira de Minas Gerais. O ponto de partida é conversão de Antônio da Silva Bracarena, em 1767. Esse português veio para o Brasil com o objetivo de ganhar dinheiro, trabalhando na construção da Igreja Nossa Senhora do Bonsucesso, em Caeté, exemplar precioso da arte barroca. Convertido, Bracarena colocou no horizonte de sua vida – no lugar de uma busca egoísta pelo acúmulo de bens – a espiritualidade e a devoção. Passou a viver no alto da Serra da Piedade, como eremita e, após receber autorização da Igreja, começou a construir a Ermida da Padroeira de Minas, ainda em 1767.

Tempos depois a história do Santuário da Padroeira de Minas Gerais é enriquecida com um dom alcançado graças ao trabalho do Cardeal Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, que integrou o clero da Arquidiocese de Belo Horizonte. A partir da atuação desse mineiro ilustre, que foi colaborador do Monsenhor Domingos Evangelista Pinheiro – o Evangelista da Piedade –  admirável guardião desse território sagrado, um capítulo importante foi escrito na história de Minas: o Papa São João XXIII concedeu ao Santuário Nossa Senhora da Piedade o título de Santuário da Padroeira de Minas Gerais.  Firma-se, assim e cada vez mais, esse território como grande centro de espiritualidade, força indispensável que conduz a sociedade mineira rumo a avanços, a partir da fé, do compromisso com a justiça e com o bem de todos.

 O Santuário Nossa Senhora da Piedade é o coração de Minas Gerais e este Ano Jubilar deve ser vivido sobre os trilhos da oração e do trabalho. Nos trilhos da oração, todos são convidados a peregrinar – em grupos, com as comunidades de fé e famílias, para viver os momentos que reúnem celebrações e a oportunidade de se reconciliar com Deus. Momentos propícios para deixar-se tocar pela força restauradora do silêncio da montanha sagrada, por sua aragem que limpa o coração, fecundando-o com a densidade espiritual da presença inspiradora de Maria, discípula exemplar. Esse Ano Jubilar, que precisa ser vivido também nos trilhos do trabalho, é convocação para que todos, em parceria e colaboração com os que integram a Faço Parte – Campanha dos Devotos de Nossa Senhora da Piedade -, instâncias governamentais e segmentos diversos, se comprometam com a realização de obras fundamentais: a edificação da Via do Peregrino, do Museu Maria Regina Mundi, a conclusão e restauração da Igreja Nova das Romarias, que pode tornar-se Basílica da Padroeira de Minas.

Essas e tantas outras iniciativas buscam fortalecer, cada vez mais, o Santuário e, consequentemente, as batidas do Coração de Minas, que é esse território sagrado.  Peregrinar ao Santuário e receber a graça de uma nova etapa na vida – abrindo um novo ciclo familiar, pessoal e social, de vida cidadã e religiosa -, além de assumir a tarefa de divulgar que Nossa Senhora da Piedade é a Padroeira de Minas Gerais. Um compromisso de todos, ato de fé e de religiosidade, de cidadania e de apreço pelo dom de ser do Estado de Minas Gerais.  Agora é a hora dos mineiros e de seu Santuário.

 
 
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
 Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

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