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Destaques › 14/01/2019

Mutabilidade

No mundo “tudo” muda, porque isso faz parte da dinâmica da criação. Até os Reis Magos voltaram por outro caminho. Quem conhece Jesus Cristo transforma seu modo de viver e faz outro trajeto de vida, deixando para traz aquilo que não condiz com a prática de vida de hoje. Cada tempo, no transcurso da história, tem suas características e exige uma ação de adaptação das pessoas.

Quem experimenta a presença de Deus na vida quer ser diferente e agir de forma mais radical e coerente com Ele, consegue sair do comodismo, da indiferença e da mediocridade. Só assim que a pessoa dá passos concretos e vai adiante para superar os entraves que dificultam a prática de uma vida sadia e feliz. A ausência de Deus causa desânimo e fragilidade no exercício das boas ações.

Em muitos momentos da Sagrada Escritura, as pessoas que assumiam compromissos com os princípios e as exigências da Palavra de Deus, mudavam de nome para dizer que agora eram novos indivíduos. É o caso de Abrão que se transforma em Abraão (Gn 17,5); de Saulo que passou a se chamar Paulo (At 13,9). E assim muitos outros fatos, que demonstram novas posturas de vida.

Devemos aqui entender a palavra “transformação”, ou mutabilidade, como sendo o exercício de novas atitudes, mas também superando as fraquezas praticadas no passado. Não significa esconder o passado marcado por práticas escusas. A vida nova deve ser fruto de uma liberdade conquistada com o exercício da justiça, acertando o passado e projetando vida de honestidade.

No auge das mudanças não é possível aceitar o império do individualismo. Os dons, ministérios, serviços e carismas, citados por Paulo ao falar para a comunidade de Corinto (I Cor 12,4-11), são virtudes naturais na prática da vida comunitária, usados para o crescimento da comunidade cristã. Essas virtudes, quando colocadas em exercício, conseguem causar mudanças profundas locais.

Na espiritualidade própria de mudança do cristão estão o seguimento e a fidelidade à vida de Jesus Cristo. Não existe mudança sem discipulado, sem a exigência de comportamento autêntico e de referência comunitária. Não chegamos à plenitude de realização sem o encontro com o outro e com Deus. Portanto, é um processo de mutabilidade, de passagem para uma vida de esperança.

Dom Paulo Mendes Peixoto  – Arcebispo de Uberaba, via CNBB

 

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