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Artigos › 12/07/2017

Porta-voz da moral

Ser porta-voz da moral é mais que tarefa. É missão que permite a conquista do indispensável balizamento, capaz de evitar que as relações sociais se convertam em descompassos, inviabilizando a cidadania. Promover a moral é responsabilidade intransferível que cabe a cada família, às igrejas, aos governos, às instituições de educação, aos projetos e programas culturais. Enfim, uma exigência para cada cidadão, que deve orientar as próprias condutas a partir de valores inegociáveis. Mas essa responsabilidade contracena, no contexto atual, com uma força antagônica: o relativismo – abrigo de reações negativas a princípios ético-morais.

Muitas vezes os ordenamentos necessários para a vida cidadã são questionados, pois o conceito de liberdade frequentemente está relacionado com subjetivismos, contemplando múltiplos significados que justificam diferentes posturas e condutas. Obviamente, liberdade é componente essencial na vida de cada pessoa, mas o agir, justamente por ser livre, deve alicerçar-se na moral. As ações humanas não podem ocorrer na contramão de valores e princípios, pois liberdade não significa autocracia ou autonomia hegemônica que confere a indivíduos o direito de ser e fazer, segundo, apenas, os próprios interesses.

A liberdade genuína é a que se alicerça na moral, sem aprisionamentos no subjetivismo. Possibilita às pessoas agirem a partir de um sentido mais abrangente de liberdade, vivenciando-a em suas escolhas diárias. Esse modo de se orientar, por ser de ordem moral, se assenta sobre os pilares de princípios e valores, com força para confeccionar um tecido cultural emoldurado por perspectivas civilizatórias indispensáveis. Conquistam-se, assim, diariamente, condutas cidadãs que permitam o usufruto da própria liberdade e o respeito à liberdade alheia. Isso só é possível quando não se negociam valores e princípios indispensáveis que, para serem preservados, demandam exigente empenho existencial.

Percebe-se que liberdade não é apenas escolha desta ou daquela ação particular que, muitas vezes, erradamente, é justificada por relativismos que conduzem a absurdos. Liberdade não pode ser pretexto para justificar qualquer coisa que se oponha à moral – uma lei que não se impõe, mas que deve ser obedecida por todos, referência a uma voz que ressoa no fundo do coração, chamando cada pessoa a amar o bem e a distanciar-se do mal.

Por isso a missão de ser porta-voz da moral é importante. Não se pode correr o risco de amedrontar-se diante das comuns reinvindicações libertárias que partem do princípio de que o valor maior é a escolha individual – mesmo que essa opção seja contrária a valores e princípios inegociáveis. Esses valores e princípios precisam ser aprendidos e assimilados para garantir uma convivência de paz e harmonia entre todos. Eis um indispensável investimento para conseguir debelar as sangrias da corrupção endêmica, promover correções urgentes, aprender que o outro, o semelhante, tem inegável importância, superando violências e indiferenças que têm desfigurado a vida na sociedade, tornando-a insustentável.

Não se pode adiar o cumprimento da missão de ser porta-voz da moral, para fazer ecoar valores e princípios que antecedem interpretações jurídicas, políticas e culturais e integram a ordem natural da verdade e do bem. Essa missão é diária, de todos, e deve ser cumprida com incondicional respeito ao próximo, às suas escolhas. Assim, deve ser debelado o impulso para impor relativismos éticos e calar vozes, sob pena de prejuízos como os que estão na pauta do dia, trazendo perdas irreversíveis. Sem medo, com o objetivo de fazer o bem, diante das urgências inquestionáveis de se constituir nova ordem social, é hora de investir, corajosamente, no cumprimento da missão que é de cada um: ser porta-voz da moral.

Por Dom Walmor Oliveira de Azevedo – Arcebispo de Belo Horizonte

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