Horários de Missas

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Homilia Dominical › 06/12/2017

PRIMEIRO DOMINGO DO ADVENTO – B

Pe. Valeriano dos Santos Costa – Capela da PUC-SP – 03 de dezembro de 2017
Is 63,16-17.19;64,2- 7; Sl 79 (80); 1Cor 1,3-9; Mc 13,33-37

No primeiro Domingo do Advento, a ordem de Jesus a todos é: vigiai. Vigiar é não dormir, pois o sono traz o desligamento da realidade. Na estrutura física e mental, o sono foi feito justamente para que esse desligamento traga o repouso restaurador. Porém a estrutura espiritual não pode ter férias, como aquelas atividades que se faz todo dia, bastando um só dia sem fazê-lo para se ter a impressão de recomeçar do zero.

É como aqueles fornos industriais que não podem ser resfriados, pois esquentar novamente é recomeçar do zero. Então há coisas na vida humana que não podem ser interrompidas. Essas coisas estão na realidade espiritual. Não se pode interromper a oração um dia sequer, não se pode interromper a missa dominical, não se pode interromper o caminho do amor, pois quanto mais se ama, mas tende a amar. Interromper a estrutura espiritual é entrar em crise, pois isso afeta diretamente a verdade real.

Verdade real é a verdade das coisas tais como são desde uma pedra, uma flor até o amor e o próprio Deus como Suma Verdade. O homem costumou a fabricar verdades, achando assim que conhece as coisas. Desta forma pensa que ele é que vai até as coisas e domina a verdade. Verdades fabricadas não são verdades reais, mas verdades inventadas. Não é o homem que vai até a verdade, mas é a verdade que vem até o homem. Como diz o filósofo cristão Xavier Zubiri, não somos nós que vamos para a verdade real, senão que a verdade real é que nos tem, por assim dizer, em suas mãos. Não possuímos a verdade real, senão que a verdade real nos possui pela força de realidade.

Essa posse não um mero estado mental nem nada semelhante, mas é a estrutura formal da nossa própria intelecção. Toda e qualquer forma ulterior à intelecção primária e radical é determinado pelo próprio real: a determinação é então um arrasto. Somos possuídos pela verdade real e arrastados por ela. Aqui Zubiri está falando do mergulho na própria realidade que fazemos não porque determinamos, mas porque somos determinados pela verdade real.

Quem se deixou possuir por uma verdade real está dentro do caminho da salvação. Quando Jesus disse: amai-vos uns aos outros, ordenou que nos deixássemos possuir pelo amor, que é verdade real suprema que norteia o relacionamento humano e salva o mundo da pior dor: a solidão. Quando Hitler, em nome da uma suposta supremacia da raça ariana, determinou a depuração da Alemanha e dos povos dominados por invasão militar, mostrou como se inventa uma verdade sem nenhum lastro de realidade e cavou o sulco mais doloroso nos costado humano, trazendo um dos maiores sofrimentos na terra. Quando tentam hoje impor a ideologia de gênero, não se fere também a verdade real em nome de uma verdade inventada sem nenhuma base real?

Então vigiar significa estar alerta, permanecendo naquela verdade real em que Deus nos colocou pelo Mistério Pascal de Jesus. É a realidade do amor. Se o vigia dorme, a casa fica entregue aos ladrões. Se os dons que Deus deu a cada dos seus filhos adotivos não representam de fato a realidade de cada um, mas as distrações com o comer e o beber e pecar é que são a realidade daquela pessoa, ela pode ser surpreendida no meio da noite ou da madrugada com surpresas desagradáveis e comprometedoras. E a alegria se esvai.

Façamos, portanto, do Advento um tempo intenso de oração e de prática de boas obras, retomando assim a verdade real que deve nos arrastar para uma vida de razão e de felicidade.

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