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Homilia Dominical › 18/09/2017

VIGÉSIMO QUARTO DOMINGO DO TEMPO COMUM – A

Pe. Valeriano dos Santos Costa – Capela da PUC-SP – 17 de setembro de 2017

Eclo 27, 33 – 29,8; Sl 102 (103); Rm 14, 7-9; Mt 18, 21-35

Não sete vezes, mas até setenta vezes sete

O eixo da mensagem é a radicalidade do perdão. Para demonstrar isso, o número sete foi usado como num jogo. Ao perguntar a Jesus, em tom pessoal, se devia perdoar sete vezes, Pedro já estava afirmando que o perdão não tem limite, porque o número sete significa o infinito. E ao responder que não apenas sete vezes, mas setenta vezes sete, Jesus faz um jogo multiplicando número sete para dizer que a necessidade de perdoar é radical.

Porém a grande questão é: Por que tanta dificuldade de perdoar? Em primeiro lugar porque não assumimos radicalmente o princípio do perdão. Mas não adiante assumir o princípio sem olhar a capacidade psíquica de perdoar. O perdão é operado numa área muito profunda do ser humano. Não adiante dizer apenas com o raciocínio que devemos perdoar, porque o perdão é antes de tudo um sentimento de compaixão pelo outro. E a compaixão é fruto da leveza de uma natureza sem rancor. A primeira leitura nos dá uma pista muito importante, ao apontar que temos muito rancor aninhado em nossos corações.

O rancor é um sentimento que tentamos esconder o tempo todo, mas quando menos esperamos alguém consegue despertá-lo e ficamos fora de controle. Ficamos na mão do outro. É uma das coisas mais desagradáveis que levamos em nossa bagagem sem desejar. E como nos libertar disso?

O rancor é fruto do sentimento de não sermos amados. A única cura só pode vir do amor. Só o amor pode nos salvar! E o amor foi derramado em nossos corações  como num Templo. Deus amou tanto o mundo que entregou o seu próprio Filho para morrer em nosso lugar. Por sua morte de Cruz, Cristo nos deu o testamento mais perfeito do amor de Deus, porque ninguém dá a vida pelo outro se não for por amor. Por isso a razão da nossa fé é chegarmos a crer com todo o nosso ser que somos tão amados por Deus Pai quanto o Filho eterno. Na medida em que essa certeza vai tomando espaço em nós, o rancor vai sendo aniquilado. Se não seremos vítimas de um sentimento que dificulta o perdão.

Como o rancor habita uma área muito profunda em nossa realidade interior, não temos o poder de anulá-lo, senão recorrendo a Deus e fazendo um profundo exercício de nos sentirmos realmente amados pelo Pai celestial como Jesus. Portanto está em nossas mãos criar o caminho para aquela cura que nos fará mais leves e capacitados ao perdão.

A expressão setenta vezes sete implica também a rapidez com que devemos perdoar. É algo que tem de ser feito antes que o sol se ponha, para que o nosso repouso seja tranquilo. Se o ofensor não reconhece seu erro e não pede o perdão formalmente, o sono desfigurado será o dele e não o nosso. Mais uma vez devemos evocar a leveza das crianças, cuja capacidade de perdoar é muito maior que a dos adultos. Por isso Jesus, em Mt 18,3, afirma que devemos ter nas crianças o paradigma daquela leveza que perdemos pela vida afora. Não podemos permitir que a vida nos deixe rancorosos.

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