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Artigos › 25/10/2016

Zaqueus da vida

A palavra Zaqueu significa puro, justo. A Sagrada Escritura fala de Zaqueu, o responsável pela coleta de impostos na cidade de Jericó (Lc 19:1-10). Os coletores de impostos, naquele tempo, já eram odiados pelos seus compatriotas judeus, que os viam como traidores trabalhando para o Império Romano. Era também um posto muito cobiçado porque os lucros econômicos eram vantajosos.

Numa ocasião Jesus passava pela cidade de Jericó a caminho de Jerusalém e Zaqueu queria encontrá-Lo. Sua estatura era baixa e não conseguia vê-Lo, por causa da multidão. Então subiu numa figueira e, sendo visto, Jesus o chamou pelo nome, pedindo-lhe para descer da árvore, porque queria visitar sua casa. Zaqueu era publicano e, por isso, era recriminado pelos judeus por causa de sua prática de vida.

Essa cena bíblica mostra o arrependimento de Zaqueu, porque ele praticava atos de corrupção. Sua mudança foi grande e prometeu honestidade, restituindo tudo que tinha roubado. Seu contato com Jesus Cristo fez com que sua vida se transformasse totalmente. Passou a ser uma nova pessoa e se colocou a serviço do anúncio do Evangelho numa vida despojada e dedicada.

O Brasil sofre com as trapaças de tantos “zaqueus” que agem de forma inescrupulosa, roubando as condições de dignidade de grande parte da população brasileira. Zaqueus que precisam fazer o encontro com Jesus Cristo e experimentar a riqueza do perdão e da devolução da quantia desviada. A injustiça provoca a ira de Deus e a revolta de tantos quanto sofrem as consequências desses atos.

A estrutura injusta da sociedade moderna, que não pune exemplarmente os culpados, favorece o surgimento dos “novos Zaqueus”, mas que agora estão enfrentando a operação Lava Jato. Esses corruptos, no mínimo, precisam mudar de vida e restituir o que devem ao erário público. O povo não pode continuar sofrendo as consequências desse estado de coisa que desabona o país.

Onde encontrar luz de esperança no meio de uma sociedade totalmente envolvida nos atos de violência? Será que agora a justiça vai mesmo agir, colocando na cadeia quem detém montante acumulado de forma escusa? As prisões não podem ser apenas para pobres, negros e indefesos. A liberdade é para todas as pessoas, mas também o agir com responsabilidade.

Por Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba

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