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Destaques › 16/10/2019

Vós sois o sumo bem

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

 

Entregou a sua boníssima alma a Deus Sua Excelência Reverendíssima Dom Elias James Manning, OFMConv, Bispo Emérito de Valença, RJ, nesta nossa Província Eclesiástica de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ.

“Eu sei que o meu redentor vive… e depois que a minha pele se desprender da carne verei a Deus… os meus olhos e não outros hão de contemplar!” (Jó, 1,23-27).

Nestes tempos tão difíceis que ora vivemos é muito importante ressaltar homens que procuraram viver suas vidas configurados a Jesus Cristo e servindo com alegria e simplicidade o povo de Deus e foram fiéis até o fim de seus dias.

Nestes 10 anos de Regional Leste 1 passei metade deles tendo D. Elias como Bispo Diocesano e outra metade como Emérito. A sua coerência, amizade, discrição, disponibilidade sempre foram uma característica até o fim de seus dias. Ao presidir suas exéquias nesse dia 15 de outubro recordei algumas situações importantes. Nasceu nos Estados Unidos mas soube inculturar-se no Brasil, (na igreja somos todos concidadãos, não somos estrangeiros); assumiu a Diocese de Valença no dia 13 de Maio e partiu para eternidade no dia 13 de outubro (sinais da intercessão mariana) e o AVC que ocasionou sua morte ocorreu ao final de uma procissão seguida de missa em uma pequena capela de São Francisco, no dia de seu santo fundador, dia 4 de outubro, São Francisco de Assis. Amparado pelos braços do povo e conseguindo um leito na UTI de Vassouras assim se despediu de todos nós. Assim nos narra o pároco local, Pe. José Antônio.

Dom Elias, como todo frade franciscano conventual, viveu uma vida de bondade, de simplicidade, de humildade, de oração e de anúncio do carisma de São Francisco de Assis: “Se queres ser perfeito, vende o que tens e dá-o aos pobres. Depois vem e segue-me” (Mt 19,21). “Não leveis nada pelo caminho, nem bastão, nem alforje, nem uma segunda túnica…” (Lc 9,3). “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e siga-me” (Mt 16,24). “Isto é o que devemos fazer, e é o que farão todos quantos quiserem vir conosco” – exclamou Francisco, que subitamente viu brilhar uma luz sobre o caminho que ele e seus companheiros deveriam viver”.

Foi exatamente isso que fez com que o jovem Elias saísse de Troy – New York, EUA, e viesse terminar os seus estudos de Teologia no Seminário Arquidiocesano de São José, no Rio de Janeiro, entre 1963-1965. Ordenado presbítero em 30 de outubro de 1965, exerceu as seguintes atividades pastorais: Vigário paroquial e Pároco, em Pontalina, GO; Rio Cumprido; Araruama, Rio de Janeiro, RJ; Custódio Provincial da Ordem dos Frades Menores Conventuais, no Rio de Janeiro, de 1976 a 1979.

Eleito bispo em 14 de março de 1990, em 13 de maio de 1990 é ordenado e toma posse como Bispo Diocesano de Valença, RJ. Na CNBB: foi responsável pela Catequese e pelas CEBs no Regional Leste 1; membro da Comissão Episcopal de Animação Bíblico-Catequética (2004 a 2007) a nível nacional.

Como Bispo de Valença fez prevalecer a sua simplicidade característica e o seu sorriso, acolhendo a todos, investindo na formação e dos leigos e na formação do clero, sempre pautando a sua ação apostólica aumentando o patrimônio da Diocese, fazendo reformas necessárias, empreendendo visitas pastorais, administrando os sacramentos e evangelizando pelo testemunho de uma vida totalmente voltada para Deus, como testemunhou o seu sucessor, D. Nelson Francelino, em sua notificação oficial da morte de D. Elias.

A serenidade dos santos se observa por uma vida santa e pela modéstia. Homem que promoveu a unidade e a simplicidade deu um eloquente testemunho de vida cristã. Eu diria que Dom Elias teve três qualidades importantes na vida de um Bispo Diocesano: 1. A Humildade e o cumprimento do dever de escutar; 2. Não viveu a “mundanidade”, o espírito das coisas do mundo, porque como São Francisco de Assis sempre pregou e aspirou as coisas do alto; 3. Esteve totalmente dedicado para a sua Diocese presente nela com o testemunho luminoso de sua santidade episcopal e franciscana.

Dom Elias amou aos seus padres: para o seu presbitério ele foi pai devotíssimo, amigo generoso, conselheiro prudente, cuidou espiritualmente do seu clero e esteve atento às necessidades humanas de cada um, principalmente, nos momentos mais delicados e importantes de seus ministérios e de suas vidas. Assim viveu até 12 de fevereiro de 2014 quando o Papa Francisco aceitou a sua renúncia ao governo da Diocese de Valença, por motivo de idade. Serviu à Diocese por 24 anos!

Deus chamou para si Dom Elias: Ele foi ao encontro do Sumo Bem, a Santíssima Trindade, que adorou, testemunhou, pregou e que agora o recebe de braços abertos!

Ao unir-me ao Excelentíssimo Dom Nelson Francelino Ferreira, DD. Bispo de Valença, e sucessor do falecido pastor, quero apresentar-lhe, ao reverendo clero, aos Religiosos e religiosas, particularmente à família franciscana conventual, e a todos os que choram a páscoa de seu Bom Pastor a minha unidade e as minhas orações pela vida doada e santificada de Dom Elias.

Fui testemunha por muitos anos do grande espírito apostólico de Dom Elias nos longos anos de comum serviço à Igreja e conservarei uma grata recordação disso para sempre. Guardo na minha alma uma lembrança comovente deste homem de profunda fé que corajosamente serviu a Igreja de Cristo que peregrina em Valença até o fim, não obstante o avanço da idade. Que o Senhor acolha o seu servo na paz e na alegria que nunca terminam!

Roguemos a Deus que acolha, na sua infinita misericórdia nosso amado irmão Dom Elias. Façamos nossa oração na certeza da ressurreição final: “Vinde, santos de Deus, apressai-vos anjos do Senhor: tomai a sua alma e a apresentai-a diante do Altíssimo”.

Descanse em paz Dom Elias, o senhor viveu o sumo Bem, a Trindade, e este seu testemunho luminoso jamais se apagará! Viveu na pobreza e simplicidade toda a sua vida; temos certeza de que hoje seus olhos se abriram para a eternidade diante do Criador. Nascido americano, tornado brasileiro pela vida de dedicação, hoje é cidadão do céu!

 

Por CNBB

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